Como começar a investir com R$100 por mês


Foto: Sam Truong Dan/Unsplash

Por muito tempo, falar de investimentos era visto como algo muito distante da realidade da maior parte das pessoas. Graças, principalmente, ao trabalho de alguns produtores de conteúdo, esse cenário vem mudando e cada vez mais gente passou a entender melhor o mundo das finanças. Mesmo assim, muitos ainda adiam a transferência do dinheiro da poupança por acreditarem não valer a pena começar a investir com quantias pequenas, como R$ 100 por mês.

Realmente, ainda mais quando não é possível correr o risco de perder parte da grana e/ou quando o dinheiro investido pode fazer falta a qualquer momento, não adianta esperar por ganhos irreais. Porém, com planejamento e disciplina, é possível, sim, ter rendimentos melhores que os da poupança, juntar dinheiro para novos investimentos e até para engordar a aposentadoria. Confira!

 

Risco, prazo e rendimento: a importância deles na escolha do investimento

A crença equivocada de que não é possível começar investindo R$ 100 reais por mês não é a única razão para que poucos tenham coragem de investir. Além dela, outros aspectos que assombram o investidor iniciante são o medo de perder dinheiro e a chance de precisar dele em alguma situação de emergência. Afinal, seria muito ruim recorrer a um empréstimo com juros altos sabendo que você tem dinheiro investido, sem poder resgatá-lo.

Nesse sentido, a boa notícia é que nem todos os investimentos são arriscados ou de longo prazo. Na verdade, existem opções para os mais variados tipos de investidores, sendo que, para encontrar o mais adequado a você, é importante considerar os seguintes fatores:

  • Risco: alguns investimentos informam exatamente quando você vai ganhar após determinado tempo, outros estão atrelados a taxas relativamente estáveis. Ainda, existem aqueles bastante imprevisíveis, como o mercado de ações, e que podem, inclusive, ter rendimento negativo. É fundamental ficar de olho nisso antes de investir.
  • Prazo: diz respeito a quanto tempo seu dinheiro ficará investido até que possa ser resgatado sem perdas, e quanto tempo pode levar até que alguém compre seu ativo. Esse aspecto também é conhecido como liquidez.
  • Rendimento: refere-se a quanto o montante de dinheiro aplicado vai render em determinado período de tempo. Na hora de comparar, leve em conta o risco do investimento e a liquidez. Também tenha em mente que nem sempre é fácil saber de antemão qual será o investimento mais lucrativo, já que algumas taxas, como IPCA e CDI podem variar.

Em geral, quanto maior é o risco, maiores podem ser os rendimentos. E o mesmo vale para a liquidez: quanto mais longo for o investimento, mais lucrativo ele tende a ser. Porém, essas não são as melhores opções para quem ainda não fez uma reserva de emergência e tem pouca grana para investir. Lembre-se que, ao retirar o dinheiro antes do prazo, você terá valores descontados.

 

Disciplina para fazer aportes mensais é chave para obter lucro a longo prazo


Foto: Orlando Sant'anna/Unsplash

Esqueça histórias de sucesso de quem transformou R$ 100 em R$ 1 mil, e R$ 1 mil e R$ 1 milhão da noite para o dia. Se já é difícil alcançar esse tipo de proeza tendo conhecimento no mercado de ações, que dirá para iniciantes. Mas isso não significa que você não possa fazer um pé de meia com rendimentos maiores que a poupança e até garantir um complemento de aposentadoria no futuro. Basta ter disciplina para guardar e investir um pouco todo mês!

Em geral, para o pequeno investidor, mais importante do que o rendimento em si é a consistência com que serão feitas as aplicações a cada mês e por quanto tempo o dinheiro ficará guardado. Vamos pegar o exemplo do Tesouro IPCA 2045, com rendimento aproximado de 6,8% ao ano. Investindo R$ 100 por mês nesse título, ao fim de 26 anos, você terá investido o equivalente a R$ 31.200, mas terá o acumulado de aproximadamente R$ 96 mil. Isso é mais do que o rendimento esperado para investimentos de renda fixa, como CDB, LCI/LCA e Fundo DI. Nesse caso, uma dica para alcançar a meta é investir o valor estipulado logo que o salário cair na conta. Assim, não corre o risco de você gastá-lo com outras coisas.

 

Tesouro Direto: boa opção para investir com R$ 100 ou menos

Já pensou em emprestar dinheiro para o governo e receber juros por isso? É o que acontece quando você investe no Tesouro Direto. Composto por títulos da dívida pública, esse tipo de investimento, que é considerado um dos mais seguros, possui diferentes modalidades, todas com rendimentos superiores aos da poupança. Além disso, todos eles possuem liquidez diária, isto é, permitem o resgate a qualquer momento. No entanto, dependendo do título escolhido, resgatar o valor antes do prazo estipulado pode resultar em perdas de lucro ou de parte do valor investido.

A seguir, explicamos melhor cada uma das modalidades de títulos do Tesouro, assim como para quem e em que situações cada um deles é mais recomendado.

Tesouro Selic

Único título público indexado à taxa Selic, é também um dos mais procurados por quem está começando a investir. Isso porque, apesar de ter um vencimento, o fato de estar atrelado à uma taxa estável permite que o dinheiro investido seja resgatado a qualquer momento sem prejuízos. Ao contrário! O rendimento é sempre positivo. Graças a essa liquidez e segurança, trata-se do investimento ideal para manter sua reserva de emergência ou para juntar dinheiro a fim de aplicar em outros investimentos.

 

Tesouro IPCA (títulos atrelados à inflação)

Talvez você já tenha passado por isto em algum momento: você tinha um sonho de consumo, passou meses juntando o rico dinheirinho, mas, na hora de fazer a compra, descobriu que o preço do produto subiu. Pois é! Devido à inflação, o dinheiro passa por uma desvalorização. Logo, o montante suficiente para pagar por algo hoje pode não ser o bastante para comprá-lo amanhã. E é justamente para evitar essa “corrosão” do investimento que existe o Tesouro IPCA.

Voltado para investimentos a médio e a longo prazo (entre 5 e 25 anos), ele trabalha com uma taxa pré-definida + variação da inflação (IPCA). Por isso mesmo, é muito indicado para começar a investir em planos futuros, como aposentadoria, estudo das crianças, viagens, etc.

 

Tesouro Prefixado

Enquanto os títulos do Tesouro Selic e IPCA estão sujeitos a variações, neste tipo de título o investidor fica sabendo exatamente quanto vai receber pela aplicação. Os rendimentos podem ser pagos somente na data do vencimento ou de forma semestral, dependendo do título escolhido.

Apesar de parecer a opção mais segura, é mais indicado para investidores mais experientes e com noções de economia. Lembre-se de que se, por exemplo, a inflação subir, o lucro do investimento e a grana aplicada perderão poder de compra. Já se ela baixar, esta pode ser uma opção mais vantajosa, mas é preciso ser capaz de fazer essas previsões de forma consciente — e de assumir os riscos caso elas estejam equivocadas.

Como investir no Tesouro Direto


Foto: Austin Distel/Unsplash

O site do Tesouro Direto conta com um simulador bastante prático e intuitivo, no qual o investidor pode analisar e escolher entre todos os títulos antes de fazer uma simulação. Porém, não é possível dar prosseguimento à aplicação na própria plataforma. Em vez disso, é necessário abrir uma conta com uma corretora de confiança, fazer uma transferência com o dinheiro que você deseja aplicar para, aí sim, concretizar o investimento.

 

Mais investimentos para quem tem pouco dinheiro

Tanto pela facilidade quanto pelo valor mínimo exigido para aplicação, os títulos do Tesouro são uma das melhores opções para quem quer investir de forma segura e com pouco dinheiro. Mas existem também diversas outras alternativas com rendimento semelhante ou superior. A seguir, listamos algumas delas:

CDB

É a sigla para Certificado de Depósito Bancário. De maneira simplificada, ao investir neles, é como se você emprestasse dinheiro para uma instituição bancária. Nesse sentido, quanto menor e menos estabelecida no mercado é a instituição, maiores tendem a ser os rendimentos, já que os riscos envolvidos também são maiores.

São diversas opções para escolher. Na hora de comparar, fique atento aos seguintes fatores:

  • Prazo: muda bastante de um título para outro, podendo ir de 180 dias a 7 anos, por exemplo, sendo que quanto maior for o prazo, maior é o rendimento e menor é a alíquota de Imposto de Renda a ser paga sobre o lucro.
  • Tipo de rentabilidade: a taxa de rentabilidade pode ser prefixada; indexada a um indicador econômico, como o CDI; ou híbrida, isto é, uma parte é prefixada e a outra, ligada a um indicador de economia, como o IPCA.
  • Valor mínimo para aplicação: cada título de CDB exige um valor mínimo de aplicação. Em geral, os investimentos podem ser feitos a partir de R$ 1 mil.

 

LCI e LCA

Assim como os CDBs, as chamadas Letras de Crédito também são títulos de renda fixa e funcionam de forma bastante semelhante: podem ser pós-fixadas ou prefixadas, e estão disponíveis com diferentes prazos e valores mínimos de aplicação. A diferença é que, nestes casos, o dinheiro é emprestado para financiar atividades dos setores imobiliário e do agronegócio. Além disso, diferente do que acontece com os CDBs, as LCIs e LCAs estão isentas da cobrança de imposto de renda.

 

Fundos DI

Fundos DI, como o nome diz, são fundos de investimento que buscam rentabilidade próxima ao CDI. Eles funcionam como uma carteira de investimentos em títulos de renda fixa pós-fixados, ou seja, em Tesouro Direto (principalmente SELIC), CDBs e Letras de Crédito.

A vantagem deste fundo é que ele é um único produto que, por si só, é diversificado, além de possuir liquidez diária, o que é bom para iniciantes. A desvantagem em relação a aplicar diretamente nos títulos de renda fixa se dá por conta da taxa de administração e do famoso “come cotas”, que é o nome popular para o adiantamento semestral do imposto de renda.

Como esses fundos costumam aplicar mais em títulos do Tesouro Nacional, qualquer taxa de administração superior aos 0,25% pagos à B3 a cada 6 meses, por quem aplica direto, é desvantajoso. Além disso, o come cotas cobra antecipadamente um imposto cujo valor deixa de gerar juros sobre juros até o vencimento do título.

Gostou de saber mais sobre como investir com R$ 100 por mês? Acompanhe o blog da CartãoJá para mais dicas de como fazer o seu dinheiro render mais!