Como definir o limite ideal do seu cartão de crédito

Ao conseguir um cartão de crédito pela primeira vez, muitos ficam frustrados ao se deparar com um limite abaixo do esperado. Nesse sentido, uma das principais queixas dos clientes diz respeito às compras parceladas. Afinal, alguém que recebe R$ 2 mil por mês, por exemplo, pode muito bem adquirir um produto acima desse valor, desde que ele seja dividido em parcelas que cabem no orçamento, não é verdade?


Foto: Kelly Sikkema/Unsplash

Porém, se de um lado é ruim ter um limite inferior ao salário recebido, de outro, conseguir um limite muito alto junto à administradora também pode contribuir para um rombo nas finanças. Isso porque, nesses casos, é grande a tentação de usar o valor do crédito para comprar algo fora de nossas possibilidades. Prova disso são os milhões de endividados nos juros rotativos do cartão!

Para te ajudar a encontrar um equilíbrio, ensinamos a seguir como estabelecer o seu limite de crédito ideal. A vantagem é que você mesmo pode controlá-lo!

 

Limite no cartão de crédito não é complemento de renda


Foto: icons8 team/Unsplash

Não é novidade que muitos brasileiros têm dívidas no cartão de crédito. Mesmo assim, um dado divulgado ano passado, a respeito do uso dessa forma de pagamento, preocupou muitos especialistas. De acordo com uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em parceria com a Confederação Nacional de Diretores Lojistas (CNDL), 20% dos usuários de cartão acreditam que o limite do cartão é um complemento de renda.

Isso significa que, em vez de usar o cartão para ter mais facilidades — como poder contar com até 40 dias para pagar por uma despesa, parcelamento, acúmulo de pontos, seguros e proteções, etc. — muitos o utilizam para gastar mais do que recebem. Como as contas não fecham, o resultado, inevitavelmente, é o atraso no pagamento da fatura ao fim do mês.

Para quem ainda tem dúvidas de como gastar no cartão de crédito, uma maneira simples de entender é pensar no limite disponível como um empréstimo a curto prazo. Com base no seu salário e no seu histórico de pagador, o banco libera determinado valor para você usar a cada mês. No entanto, a quantia emprestada deve ser paga, sem falta, em até 40 dias (na data de vencimento da fatura). Logo, é fundamental que a soma dos seus gastos com cartão e outras despesas fiquem abaixo das suas receitas.

 

Afinal, qual é o limite ideal para o meu cartão de crédito?


Foto: Ronaldo Oliveira/Unsplash

Considerando a tentação que é gastar acima do salário recebido, assim como a chance de surgirem imprevistos ao longo do caminho, especialistas alertam que o limite ideal não deve ser superior a 30% do salário. Ou seja, digamos que você receba R$ 4 mil por mês, o limite do seu cartão de crédito não deve ultrapassar R$ 1.200.

Até aí, parece muito simples: é só fazer as contas e entrar em contato com o banco para negociar um aumento ou redução no limite do cartão. O problema é que, por conta da possibilidade de parcelamento, o cartão é muito usado justamente para pagar por despesas acima do nosso salário. E, o melhor, sem precisar pedir um empréstimo e pagar juros por isso. É o caso, por exemplo, de uma viagem para o exterior, de um curso, da compra de novos eletrodomésticos, etc.

Sendo assim, se o banco concedeu um crédito acima das suas receitas, nem sempre é interessante entrar em contato com ele e pedir uma redução. Em vez disso, uma alternativa é estabelecer seu próprio limite de gastos mensal, deixando o limite mais alto para situações atípicas ou emergenciais. Mas isso, claro, desde que você se planeje para pagar as faturas em dia.

 

3 dicas para determinar (e seguir) seu próprio limite de cartão

Como visto, ter um limite muito alto nem sempre é ruim e pode colocar em risco as suas finanças. Na verdade, ele pode sim vir a calhar em casos de emergência, contribuindo para que você não precise pagar taxas de outros tipos de empréstimo. O segredo, portanto, é determinar seu próprio limite no cartão de crédito e se manter restrito a ele. Veja dicas de como fazer isso:

1. Coloque suas contas no papel

Mesmo a regra de calcular 30% do salário não deve ser seguida à risca para encontrar o melhor limite para o seu cartão. Afinal, digamos que você ganhe R$ 4 mil, mas gaste, em média, R$ 3 mil com aluguel e outras contas mensais fixas e variáveis. Nesse caso, em vez de R$ 1.200 (30% de 4.000), o seu limite de gastos jamais deve ultrapassar R$ 1 mil, ou você pode se ver em apuros.

Para chegar no valor máximo que você pode gastar por mês, crie uma planilha de gastos e coloque nela todas as suas receitas, subtraindo delas suas despesas. O valor que sobrar pode ser o seu limite pessoal de gastos no cartão. Lembrando que, para a saúde financeira, é bacana guardar um dinheirinho também para investimentos e reservas de emergência.

 

2. Fique sempre de olho nas parcelas

Embora alguns vejam o cartão de crédito como complemento de renda, a maioria das pessoas até sabe que o ideal é gastar nele menos do que se recebe. Porém, é comum que as parcelas sejam esquecidas na hora de fazer as contas, e isso pode prejudicar seu orçamento.

Como exemplo, digamos que este mês você parcelou uma compra de R$ 500, em cinco vezes. Caso você tenha estabelecido um limite mensal de gastos no cartão de R$ 900, isso significa que, durante cinco meses, você só poderá gastar R$ 800 no cartão, já que R$ 100 estarão comprometidos. Vale destacar que, nesse caso, estamos falando somente do seu limite pessoal de gastos no cartão a cada mês. Já se o limite disponibilizado pelo banco for de R$ 900 no total, quer dizer que, para essa mesma compra, você teria somente R$ 400 para gastar no cartão no mês seguinte, sendo que o limite é liberado aos poucos, conforme o pagamento das parcelas.

3. Conte com a ajuda da tecnologia

Manter o equilíbrio entre um limite de cartão alto para emergências, mas reduzido no dia a dia é algo que já exigiu muita determinação e planejamento por parte do consumidor. Hoje em dia, porém, a tarefa se tornou bem mais simples graças à ajuda da tecnologia. Isso porque aplicativos como os dos cartões NuBank e Santander permitem ao consumidor controlar o próprio limite, isto é: embora eles deixem liberado um valor pré-determinado, você pode optar por deixá-lo bloqueado até segunda ordem. Assim, quando surgir uma emergência ou necessidade, é só desbloquear e aumentar o limite no próprio aplicativo.

Um fator que é importante ter em mente é que, em caso de atrasos no pagamento, o cartão cobra os chamados juros rotativos, que estão entre os mais altos do mercado. Sendo assim, programa-se para pagar as faturas em dia e evitar o endividamento!